No processo de constituição do espaço urbano de Cuiabá, a Matriz do Senhor Bom Jesus foi edificação fundante de espaço de representação dos poderes.
Quando, em 1722, Miguel Sutil descobriu ouro no córrego da Prainha , o capitão mor Jacinto Barbosa Lopes levantou a Igreja do Senhor Bom Jesus do Cuiabá. O edificador da Igreja do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, sabia da importância de igreja matriz para firmar espaços urbanos. Era a materialização de administração eclesiástica, de vigoraria forânea. Em 1723, o arraial foi elevado a sede de freguesia. Assim, a Igreja do Bom Jesus do Cuiabá foi construída em um altiplano, com a frente voltada para o córrego Prainha, e, em seu retorno, mantendo os vazios, o adro. Dessa forma, o espaço ocupado pela Matriz se consolidou como referencial definitivo, passando a ser um espaço de representação de poder. O entorno imediato da Matriz normatizada canonicamente, não teve adensamento de edificações privadas. As transformações na matriz começaram dezessete anos após sua edificação. Quando o vigário João Caetano conclamou o povo, em 1739, para contribuir com a reconstrução da igreja, alegando ser aquela pequena, não condizendo com a vila, foi prontamente atendido pelos moradores. No ano seguinte o mesmo padre convocou novamente o povo a contribuir com doze vinténs de ouro, para que se retomassem as obras da matriz, no que foi prontamente atendido. Na medida que a vila expandia, com ela iam ocorrendo alterações no templo religioso: ampliado, torna-se sede de Prelazia pela Bula "Condor Lucis Aeternae", de 8 de dezembro de 1745, ganha uma torre, crescendo significativamente sua importância para a sociedade local. Em 1755, argumentava-se que as condições financeiras dos habitantes da vila permitiam que se fizesse exigir torre, o que foi feito. Por problemas na edificação, a torre veio a ruir.
Só conseguiram esse intento em 1772, graças ao frei José de Nossa Senhora da Conceição, esmoler da terra Santa. Esta torre tinha a forma piramidal. A Matriz do Senhor Bom Jesus de Cuiabá se tornou Catedral em 1826.
Em 1868, outra reforma na Catedral: a torre, em forma de pirâmide é substituída por outra, com a parte superior arredondada, graças ao contrato feito com o construtor Tortorolli.
Entretanto, foi no arcebispado de Dom Francisco de Aquino Corrêa e estando na presidência do Estado de Mato Grosso Dr. Mário Corrêa da Costa que a Catedral cuiabana ganha sua segunda torre, através da proposta de embelezamento da cidade um dos programas do governo do Estado, isso em 1929. Essa reforma alterou completamente a fachada da Catedral.
Décadas mais tarde, foi um dos argumentos utilizados para justificar a demolição em razão da sua descaracterização. O espaço urbano de Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá, constituído no séc. XVIII. Teve, a partir de segunda metade do século XX, sua descaracterização intensificada, com a sistemática demolição de seus monumentos. Depois de passar por diversas metamorfoses, a Catedral do Senhor Bom Jesus de Cuiabá foi implodida "a dinamite", em 14 de agosto de 1.968. A justificativa mais freqüente do poder eclesiástico e das autoridades locais é que eram péssimas as condições físicas em que se encontrava o velho templo religioso.
Mas a futura Catedral Basílica deveria ser erguida e o foi, no mesmo lugar onde fora erigida a primeira igreja do Senhor Bom Jesus, sua inauguração ocorreu em 24 de maio de 1973 concomitante ao jubileu de Prata do Arcebispo D. Orlando Chaves e a elevação a Catedral Basílica em 14 de Novembro de 1974.

1° Igreja Matriz - largo da Praça da Republica
Texto: Leilla Borges de Lacerda
Fonte: http://www.fotolog.com.br/cuiabainfocu